O amargo não é fácil. O amargo tem presença. Apreciar o amargo exige o esforço e a paciência necessária para as coisas que valem a pena.
Alguém disse um dia que o amor é doce. Não há nada de doce no amor porque é difícil, e atinge o que há de mais profundo em nós.
Não é fácil apreciar o amargo, mas quando aprendemos, nos sentimos de fato vivos. O amargo não enjoa, queremos mais, e o copo de cerveja não fica vazio durante toda uma noite.
Habituar-se ao amargo da vida pode ser embriagante.
sábado, 6 de junho de 2015
Exercícios de Loucura
Os ponteiros
tortos do relógio percorrem na disritmia dos corações enfartados.
Os passos em
sentido contrário rumam o descaminho das perdições. Para partirem a chegada,
chegam à partida.
As coisas
representam os nomes, o que torna a comunicação tão real e infinita quanto a
vida.
A textura do
amargo tem o som escuro das noites sem lua.
A mulher amada
morde de felicidade a dor do parto.
Tudo é tão
grande que nada me sobra, simplesmente.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Rascunhos lispectorianos
Eu te gosto tanto, te tenho um respeito tão profundo que jamais direi uma palavra sobre ti.
Estarás em toda a criação, e só meu íntimo saberá.
Nas tuas palavras, encontro as minhas e as profundezas.
No labirinto de teus caminhos delirantes, descubro um mundo que crio e possuo.
Na minha miséria, descobri a grandeza de apenas ser.
Eu te tenho por me ter, e basta.
Bastar-se parece tão grande que dá medo de apenas bastar-se.
Não me mostre sua doçura, sua gentileza. Quererei saciar-me contigo e aprisioná-la até que meu desejo se consuma por inteiro.
Somos o que percebemos? Percebemos o que somos?
Precisava dar-me a insignificância necessária para poder ser, apenas.
Estarás em toda a criação, e só meu íntimo saberá.
Nas tuas palavras, encontro as minhas e as profundezas.
No labirinto de teus caminhos delirantes, descubro um mundo que crio e possuo.
Na minha miséria, descobri a grandeza de apenas ser.
Eu te tenho por me ter, e basta.
Bastar-se parece tão grande que dá medo de apenas bastar-se.
Não me mostre sua doçura, sua gentileza. Quererei saciar-me contigo e aprisioná-la até que meu desejo se consuma por inteiro.
Somos o que percebemos? Percebemos o que somos?
Precisava dar-me a insignificância necessária para poder ser, apenas.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Praça Tiradentes
Gordura, cigarro,
cerveja, perfume barato.
Um chão que gruda
entre paredes sujas.
Limões no mictório,
bregas na vitrola.
Homens de pernas cruzadas
acompanhados de seu cansaço.
Mulheres da vida são flores
à espera do beija-flor.
Meu amor não vem,
e desenho com os olhos
essa humanidade tão decente.
cerveja, perfume barato.
Um chão que gruda
entre paredes sujas.
Limões no mictório,
bregas na vitrola.
Homens de pernas cruzadas
acompanhados de seu cansaço.
Mulheres da vida são flores
à espera do beija-flor.
Meu amor não vem,
e desenho com os olhos
essa humanidade tão decente.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Rascunhos de uma mesa de bar (09/12/2014)
Na tristeza desta ausência,
existe a sutil alegria de um mundo
para além da minha vontade.
E nas outras vontades com que me esbarro,
nas outras vontades em que me me encontro,
nas outras vontades que se desviam,
nas outras vontades que me elevam ao desvario,
sou apenas eu, sem saber.
Ainda bem.
E por pior que seja, sempre existe o dia seguinte,
e uma tal de esperança.
existe a sutil alegria de um mundo
para além da minha vontade.
E nas outras vontades com que me esbarro,
nas outras vontades em que me me encontro,
nas outras vontades que se desviam,
nas outras vontades que me elevam ao desvario,
sou apenas eu, sem saber.
Ainda bem.
E por pior que seja, sempre existe o dia seguinte,
e uma tal de esperança.
domingo, 23 de novembro de 2014
23/11/2014
Desprender do que te apega, completar com o que te falta.
Haverá sempre um apego, alguma precisão.
Assim com esta angústia de incompletude,
esta vontade de libertação,
que deveríamos chamar de vida.
Haverá sempre um apego, alguma precisão.
Assim com esta angústia de incompletude,
esta vontade de libertação,
que deveríamos chamar de vida.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Desencoantro
Com sua distância,
se foi a fantasia,
Voltei a errância,
do sem-ti parecia.
Nem a lembrança,
de remédio, servia.
Sem evitar os perantes
que no mundo havia,
encontrei circunstâncias
e mais um todavia
pelo qual nova andança
rumei estrada perdida.
A chamei Desesperança
pois achei real magia
quando em mim assanha
quem no tempo habita.
se foi a fantasia,
Voltei a errância,
do sem-ti parecia.
Nem a lembrança,
de remédio, servia.
Sem evitar os perantes
que no mundo havia,
encontrei circunstâncias
e mais um todavia
pelo qual nova andança
rumei estrada perdida.
A chamei Desesperança
pois achei real magia
quando em mim assanha
quem no tempo habita.
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