Até algumas horas atrás, aceitava minha vida de anjo
e tudo o que me conformava diante do conflito.
Todo tipo de drogas e alienantes.
Tudo para ser compassivo diante de Deus e dos homens.
Neste momento em que aceito minha humanidade, sou seco.
Sem nada para suportar a existência, estou pleno sem complacência.
Simplesmente porque não existe.
Tenho tanto ódio quanto amor.
Sim, sou humano, sem necessidade de perdão.
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Bolar e fumar
Derramo lentamente e distribuo na medida do desejo.
Fecho com os dedos a matéria e sinto o círculo que se molda com o tempo.
A forma necessária necessita sensibilidade.
Dobro a pele com o cuidado de quem ama e não machuca.
Dou o acabamento sem destituir a solidez da criação.
Beijo para fechar os olhos.
Pronto para o ato definitivo, acendo e sorvo com a precisão da sobrevivência.
Todo o sentido se desfaz no alívio.
Aprecio cada momento da existência de todo prazer, sem saber da sua finitude.
Então me queimo por querer demais.
Fecho com os dedos a matéria e sinto o círculo que se molda com o tempo.
A forma necessária necessita sensibilidade.
Dobro a pele com o cuidado de quem ama e não machuca.
Dou o acabamento sem destituir a solidez da criação.
Beijo para fechar os olhos.
Pronto para o ato definitivo, acendo e sorvo com a precisão da sobrevivência.
Todo o sentido se desfaz no alívio.
Aprecio cada momento da existência de todo prazer, sem saber da sua finitude.
Então me queimo por querer demais.
sábado, 24 de dezembro de 2016
Observações
Cerveja não mata sede, cerveja mata calor.
Retornando quase em férias de Big Field na vertigem de um fervo capaz de indignar o próprio cramunhão, paro no Babilac para tomar a digníssima. Na esquina dos meus primeiros tempos, um vendedor de coco faz sua freguesia de mães com os seus.
Aqui mesmo, faz quase três décadas, sobrevivia o tripeiro. Atravessando a rua, o Cotó, fruteiro de um braço só. No embaçamento do bafo quente que emerge do asfalto, um oráculo às avessas me revela a identidade infanto-afetiva entre vida pregressa e presente.
E a cerveja continua gelada.
Retornando quase em férias de Big Field na vertigem de um fervo capaz de indignar o próprio cramunhão, paro no Babilac para tomar a digníssima. Na esquina dos meus primeiros tempos, um vendedor de coco faz sua freguesia de mães com os seus.
Aqui mesmo, faz quase três décadas, sobrevivia o tripeiro. Atravessando a rua, o Cotó, fruteiro de um braço só. No embaçamento do bafo quente que emerge do asfalto, um oráculo às avessas me revela a identidade infanto-afetiva entre vida pregressa e presente.
E a cerveja continua gelada.
sábado, 17 de dezembro de 2016
Redemoinho ou o vento que nos move
Que passa?
O vento.
Que vento,
se as folhas não se movem
e nada sinto?
Vem de dentro,
se vê.
O quê?
O movimento dos corpos.
Que será?
Milagre? Magia?
Assombro?
Não, é desejo.
Olhe o redemoinho.
A música que cresce.
Mas jaz o silêncio.
Não vê?
Nada ouço.
Ouço o que vejo,
sinto o que ouço.
Danço também à força do vento.
Este mesmo que vemos?
Sim.
O vento.
Que vento,
se as folhas não se movem
e nada sinto?
Vem de dentro,
se vê.
O quê?
O movimento dos corpos.
Que será?
Milagre? Magia?
Assombro?
Não, é desejo.
Olhe o redemoinho.
A música que cresce.
Mas jaz o silêncio.
Não vê?
Nada ouço.
Ouço o que vejo,
sinto o que ouço.
Danço também à força do vento.
Este mesmo que vemos?
Sim.
Brasileiros
Não sei do que seríamos capazes,
nem do que faríamos.
Nos é tão difícil reconhecer nossa africanidade,
bem mais visível.
Perceber uma brasilidade sem imperialismos regionais,
então, quase impossível.
Nosso espelho é a deformidade das heranças malditas
da escravidão e da colonização.
Ainda não somos latinoamericanos,
ainda não somos negros,
e se somos brasileiros
é muito pouco por irmandade.
Reconhecer em ti uma beleza negada por tanto tempo
não é simples.
nem do que faríamos.
Nos é tão difícil reconhecer nossa africanidade,
bem mais visível.
Perceber uma brasilidade sem imperialismos regionais,
então, quase impossível.
Nosso espelho é a deformidade das heranças malditas
da escravidão e da colonização.
Ainda não somos latinoamericanos,
ainda não somos negros,
e se somos brasileiros
é muito pouco por irmandade.
Reconhecer em ti uma beleza negada por tanto tempo
não é simples.
sábado, 19 de novembro de 2016
Insight
Convivo mal com a abstinência
tanto quanto amores perdidos.
Esta falta que me faz
e a que tanto dedico
é a minha insensatez
de suportar a vida.
tanto quanto amores perdidos.
Esta falta que me faz
e a que tanto dedico
é a minha insensatez
de suportar a vida.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Sozinho
Ando tão sozinho comigo
que aprecio o toque do tempo
no vento da
noite.
Ando tão sozinho comigo
que respiro pelas narinas
o oxigênio existente.
Ando tão sozinho comigo
que até encontro
meu espírito presente.
(inclusive acredito)
Ando tão sozinho comigo,
tão sem pressa da vida,
um destemido sem valentia.
Ando tão sozinho comigo.
Acordado e tranquilo
com vozes, cores, odores.
Ando tão sozinho comigo
que nem as dores
me tiram de mim.
Ando tão sozinho comigo
quase entorpecido
a tudo sentindo.
Ando tão sozinho comigo
que até percebo
que existo.
Assinar:
Postagens (Atom)